terça-feira, 25 de outubro de 2011


 O menino de Sal
Ele galgou silencioso as ondas do mar.
Determinado, dominou-as.
Como que encilhadas, elas se rebelaram:
onda de respeito não aceita ser domada.
Enfurecidas, lançaram no espaço
um protesto de espuma.
Sem pressa nenhuma, o menino insistiu.
A onda mais brava se revolveu e se insurgiu,
arremeteu, rosnou, subiu,
arranhou o céu, aliou-se ao vento,
formou sua muralha de cimento 
e arremessou.
O menino sorriu seu sorriso moreno,
que desde pequeno levava consigo
para os momentos de dor e perigo.
Enfrentou a batalha de água, 
de espuma, 
de muralha,
de desaforos do mar
e só foi sossegar,
quando a onda achatou-se na areia,
submissa;
ele entortou-lhe o brio, a força, a dobradiça.
Vitória assegurada, 
pegou a prancha, guardou o sol e partiu.
A tarde quando viu, arrepiou-se toda, 
ameaçou, exigiu, derramou seu veneno
numa fúria pérfida e voraz.
Ele não sabe do que é capaz
um menino de sal e um sorriso moreno...
                                          Flora Figueiredo.

O mar e o menino de sal. 
A mar e o leãozinho. 

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